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Vida OeirasOeiras Centro18 de janeiro de 2026

Quantas vezes passamos pelo Forte de São Julião da Barra, imponente na foz do Tejo, e nos perguntamos que histórias guardam as suas muralhas centenárias?

Quantas vezes passamos pelo Forte de São Julião da Barra, imponente na foz do Tejo, e nos perguntamos que histórias guardam as suas muralhas centenárias?

Vida Oeiras — domingo, 18 de janeiro de 2026

Quantas vezes passamos pelo Forte de São Julião da Barra, imponente na foz do Tejo, e nos perguntamos que histórias guardam as suas muralhas centenárias? Este gigante de pedra, guardião da nossa costa, é muito mais do que uma paisagem familiar; é um livro aberto sobre a história de Oeiras e de Portugal.

O que saber

Erguido estrategicamente na margem direita do estuário do Tejo, entre o século XVI e o XVIII, o Forte de São Julião da Barra foi concebido para ser a primeira e mais robusta linha de defesa de Lisboa. A sua construção inicial remonta ao reinado de D. João III, mas foi ao longo dos séculos que ganhou a sua forma atual, com sucessivas ampliações e modernizações, especialmente após o terramoto de 1755. A sua função primordial era impedir a entrada de frotas inimigas na capital, controlando o acesso marítimo com o seu impressionante poder de fogo. Considerado uma das maiores e mais importantes fortificações marítimas do país, a sua presença era um aviso claro a qualquer invasor.

Porque é interessante para Oeiras

Para os cidadãos de Oeiras, o Forte de São Julião da Barra é um símbolo da nossa identidade e da nossa ligação intrínseca ao mar e ao rio. A sua silhueta é parte integrante da paisagem que muitos de nós observamos diariamente, seja da praia de Carcavelos, do Passeio Marítimo que liga Paço de Arcos a Caxias, ou mesmo de pontos mais elevados em Algés ou Linda-a-Velha. Ele recorda-nos o papel estratégico que o nosso concelho sempre desempenhou na defesa do reino e na proteção das comunidades ribeirinhas. É uma memória viva de um passado onde a segurança passava pelas suas muralhas, moldando a história e a cultura local.

Um detalhe curioso

Para além da sua função militar, o Forte de São Julião da Barra teve um papel menos glorioso, mas igualmente marcante: o de prisão política. Ao longo dos séculos, as suas celas abrigaram figuras notáveis e anónimas, desde nobres caídos em desgraça a opositores políticos de vários regimes. Foi um local de reclusão para muitos que desafiaram o poder estabelecido, tornando-se um símbolo de repressão em diferentes épocas da história portuguesa. Este pormenor adiciona uma camada de drama humano às suas pedras, transformando-o não só num baluarte militar, mas também num palco de histórias de resistência e cativeiro.

Se fores lá / Como observar

Embora o acesso ao interior do Forte de São Julião da Barra seja restrito, a sua imponência pode ser plenamente apreciada do exterior. Sugerimos um passeio pela marginal, desde Carcavelos até à Torre, onde a vista para o forte é desimpedida e inspiradora. Imagine os navios a entrar e sair do Tejo sob o seu olhar vigilante, ou as sentinelas a patrulhar as muralhas. É um convite a contemplar a história que se desenrolou ali, à beira-mar, e a sentir a brisa que há séculos sopra sobre este monumento intemporal de Oeiras.

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