Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o seu charme costeiro, é um dos tesouros de Oeiras.
Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o seu charme costeiro, é um dos tesouros de Oeiras.
Vida Oeiras — sábado, 17 de janeiro de 2026
Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o seu charme costeiro, é um dos tesouros de Oeiras. Conhecemos as suas praias, os seus jardins e a imponência do seu palácio. Mas por trás da paisagem idílica, esconde-se uma história de fé e resiliência, tecida pelas mãos de quem sempre viveu do mar.
O que saber
Muito antes de se tornar um local de veraneio e de habitação privilegiada, Paço de Arcos era um ponto estratégico e vital para a navegação portuguesa. Foi aqui que D. Manuel I mandou edificar o seu Paço Real, de onde observava a partida das naus e caravelas para as Descobertas. Contudo, a vida local era moldada por outro tipo de protagonistas: os pescadores. Estes homens e mulheres, que enfrentavam diariamente as incertezas do Atlântico, construíram uma comunidade vibrante e profundamente devota. No coração desta devoção ergue-se a Capela do Senhor Jesus dos Navegantes, um santuário erguido no século XVIII, que se tornou o epicentro espiritual de Paço de Arcos. Não era apenas um local de culto, mas um porto de esperança e um refúgio para as almas que dependiam do mar para sobreviver.
Porque é interessante para Oeiras
Esta história de fé e coragem dos pescadores de Paço de Arcos é um pilar fundamental da identidade de toda a costa de Oeiras. Ela recorda-nos que, para lá dos palácios e das grandes narrativas históricas, a vida quotidiana das comunidades, a sua resiliência e as suas tradições moldaram profundamente o nosso concelho. É uma ligação intrínseca ao mar que ainda hoje se sente, seja em Paço de Arcos, em Caxias ou em Algés. Compreender esta faceta menos visível da história local ajuda-nos a valorizar a herança cultural e a alma de um lugar que, apesar das transformações, mantém viva a memória dos seus antepassados e a sua profunda ligação ao oceano.
Um detalhe curioso
A Capela do Senhor Jesus dos Navegantes não era apenas um local para orar antes de uma pescaria arriscada. Era também o ponto de partida e de chegada de uma das mais sentidas manifestações de fé da região: a procissão em honra do Senhor Jesus dos Navegantes. Esta tradição, que perdura há séculos, via a imagem do Cristo ser levada em cortejo pelas ruas, abençoando as casas e as famílias dos pescadores, antes de regressar ao seu altar. É um testemunho vivo da profunda gratidão e do pedido de proteção que a comunidade sempre dirigiu ao seu padroeiro, um ritual que unia a terra e o mar num só abraço de esperança.
Se fores lá / Como observar
Para sentir esta história, sugerimos um passeio pelo Largo da Igreja, em Paço de Arcos. Visite a Capela do Senhor Jesus dos Navegantes e observe os detalhes da sua arquitetura e os ex-votos que testemunham a fé dos que ali procuraram consolo. Depois, caminhe até à marginal e contemple o estuário do Tejo. Imagine as pequenas embarcações de pesca a sair e a regressar, e as famílias à espera. É um exercício de memória que nos conecta com a alma marítima de Paço de Arcos, uma alma que, tal como em Porto Salvo ou Linda-a-Velha, continua a respirar a brisa do Atlântico.