Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o charme das suas ruas, é um dos ex-líbris do nosso concelho.
Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o charme das suas ruas, é um dos ex-líbris do nosso concelho.
Vida Oeiras — terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o charme das suas ruas, é um dos ex-líbris do nosso concelho. Mas por detrás do seu nome, que ecoa a nobreza e a arquitetura, esconde-se uma história real, literalmente, que poucos conhecem em detalhe e que nos transporta para os tempos áureos de Portugal.
O que saber
A origem do nome "Paço de Arcos" não é um mero acaso geográfico, mas sim um testemunho da sua importância histórica. Crê-se que o topónimo deriva de um antigo "Paço Real" ou residência régia que existia na zona, utilizada pela família real portuguesa. Não se tratava de um palácio sumptuoso como o de Queluz, mas sim de um local de repouso e preparação, estratégico pela sua proximidade ao estuário do Tejo.
Este paço servia como ponto de paragem para os monarcas e a sua corte antes de embarcarem em viagens marítimas, especialmente durante a época dos Descobrimentos. Reis como D. Manuel I e D. João III terão frequentado este local, aproveitando a sua localização privilegiada para caçar ou simplesmente para descansar antes de grandes empreitadas oceânicas. Era um ponto de partida e chegada, um elo entre a terra e o mar, fundamental para uma nação virada para o Atlântico.
Porque é interessante para Oeiras
Esta história sublinha a profunda ligação de Oeiras ao mar e à história de Portugal. Enquanto hoje pensamos em Oeiras como um polo de inovação e desenvolvimento, com centros como o Taguspark ou Lagoas Park em Porto Salvo, é crucial recordar as suas raízes históricas. Paço de Arcos, tal como Algés ou Caxias, não é apenas um local de passagem, mas um palco onde se desenrolaram capítulos importantes da nossa identidade.
Conhecer a origem do nome de Paço de Arcos é valorizar a memória coletiva do concelho. Ajuda-nos a compreender que a riqueza de Oeiras não reside apenas na sua modernidade, mas também na sua herança, que se manifesta em cada rua, em cada edifício antigo e, claro, no próprio nome das nossas localidades. É um convite a olhar para o nosso património com outros olhos, percebendo que a história está presente no nosso quotidiano, mesmo que de forma discreta, contrastando com a vida mais interior de Queijas ou Barcarena.
Um detalhe curioso
Embora o "Paço Real" original já não exista na sua forma primitiva, a tradição de uma residência nobre na área manteve-se. O atual Palácio dos Arcos, um edifício imponente do século XVIII, que hoje funciona como hotel, ergue-se na proximidade do local onde se crê ter existido o antigo paço régio. É uma continuidade fascinante que liga séculos de história, mantendo viva a memória de um passado real e marítimo. A sua arquitetura e localização continuam a evocar essa aura de nobreza e ligação ao Tejo.
Se fores lá / Como observar
Da próxima vez que passeares pela marginal de Paço de Arcos, ou que te sentares num dos seus cafés com vista para o rio, convido-te a fazer uma pequena viagem no tempo. Olha para o Palácio dos Arcos e para a vastidão do Tejo. Imagina os navios de outrora a zarpar para terras distantes, e os reis e rainhas a despedirem-se ou a regressarem a este ponto estratégico. Podes caminhar até ao Jardim da Quinta do Marquês, que oferece vistas sobre o rio e o palácio, e refletir sobre como este local foi, em tempos, a porta de entrada e saída para um império. É uma forma simples de conectar o presente com um passado glorioso que moldou a nossa terra.