Paço de Arcos, com o seu charme costeiro e a brisa atlântica, é um dos tesouros de Oeiras.
Paço de Arcos, com o seu charme costeiro e a brisa atlântica, é um dos tesouros de Oeiras.
Vida Oeiras — segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Paço de Arcos, com o seu charme costeiro e a brisa atlântica, é um dos tesouros de Oeiras. Mas por trás da sua beleza familiar, esconde-se uma história real, literalmente, que muitos desconhecem. Uma narrativa de reis, estratégias marítimas e arcos que deram nome a esta vila.
O que saber
No início do século XVI, o Rei D. Manuel I, conhecido pela sua visão expansionista, mandou construir um Paço Real em Paço de Arcos. Não era um palácio sumptuoso como o de Sintra, mas sim uma residência estratégica, um ponto de observação privilegiado sobre a barra do Tejo. Dali, o monarca podia acompanhar a partida e chegada das naus da Índia, um espetáculo de poder e riqueza que marcava a época. Para abastecer este Paço e a povoação que começava a crescer em seu redor, foi construído um aqueduto, cujos arcos deram a segunda parte do nome à localidade. É importante notar que este Paço Real original não é o imponente Palácio dos Arcos que hoje conhecemos, mas sim uma estrutura mais antiga, cujas fundações se situavam mais perto da linha de água, nas imediações do que é hoje o Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo.
Porque é interessante para Oeiras
Esta história é um lembrete fascinante das raízes de Oeiras como um concelho com profunda ligação ao mar e à história de Portugal. Paço de Arcos, tal como outras zonas costeiras como Caxias ou Algés, desempenhou um papel crucial na defesa e na expansão marítima do reino. Conhecer a origem do seu nome e a função do Paço Real original permite-nos olhar para a paisagem de hoje com outros olhos, compreendendo como a presença régia e a necessidade de água moldaram o desenvolvimento desta vila. É uma peça do puzzle que compõe a rica identidade de Oeiras, um concelho que soube preservar a sua memória enquanto abraça o futuro, desde Linda-a-Velha a Barcarena, cada localidade com a sua própria camada de história.
Um detalhe curioso
Os arcos do aqueduto, essenciais para a vida do Paço Real e da comunidade, não eram apenas uma obra de engenharia; eram um símbolo da capacidade de D. Manuel I em dotar os seus domínios de infraestruturas vitais. Embora grande parte do aqueduto original tenha desaparecido ou sido integrada em construções posteriores, a sua memória perdura no nome da vila. Imaginar a água a fluir por estes arcos, vinda das nascentes do interior, para servir a realeza e a comunidade, é um exercício de história viva que nos conecta diretamente com o quotidiano de há cinco séculos. É um testemunho silencioso da importância da água e da visão de um rei que transformou Paço de Arcos num ponto estratégico e real.
Se fores lá / Como observar
Da próxima vez que passear pelo Passeio Marítimo de Oeiras, em Paço de Arcos, reserve um momento para olhar para a paisagem com esta história em mente. Caminhe pela zona costeira, especialmente nas imediações do Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo. Tente imaginar o Paço Real de D. Manuel I ali, a observar o Tejo e as suas embarcações. Embora as estruturas originais sejam difíceis de identificar a olho nu, a atmosfera e a vista permanecem. É uma oportunidade para sentir a história sob os seus pés e apreciar a profundidade do legado que Paço de Arcos oferece a todos os que vivem ou visitam o nosso concelho, desde Miraflores a Queijas.