A história, muitas vezes, esconde-se à vista de todos, moldando o nosso presente de formas que nem sempre percebemos.
A história, muitas vezes, esconde-se à vista de todos, moldando o nosso presente de formas que nem sempre percebemos.
Vida Oeiras — quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
A história, muitas vezes, esconde-se à vista de todos, moldando o nosso presente de formas que nem sempre percebemos. Em Oeiras, um nome ressoa com particular força, o de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal. Mas qual a verdadeira profundidade da sua ligação ao nosso concelho? Prepare-se para descobrir um capítulo fascinante da nossa identidade.
O que saber
Antes de se tornar o poderoso Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo foi o Conde de Oeiras, título que lhe foi concedido em 1759. Foi aqui, no coração do que viria a ser o concelho de Oeiras, que estabeleceu a sua principal residência de campo: o imponente Palácio do Marquês de Pombal, também conhecido como Palácio de Oeiras. Este não era apenas um refúgio, mas um verdadeiro laboratório para as suas ideias inovadoras. O palácio e os seus vastos terrenos serviram de palco para experiências agrícolas, industriais e urbanísticas que refletiam a sua visão reformadora para Portugal. A sua presença em Oeiras não foi meramente simbólica; foi ativa e transformadora, deixando uma marca indelével na paisagem e na organização local.
Porque é interessante para Oeiras
A ligação do Marquês de Pombal a Oeiras é mais do que um mero facto histórico; é um pilar da identidade do concelho. O Palácio, com os seus jardins e a sua arquitetura pombalina, é um dos ex-libris de Oeiras, um testemunho vivo de uma época de grandes mudanças. A sua visão de modernização e planeamento, que se manifestou nas suas propriedades, contribuiu para o desenvolvimento e a organização do território. A influência do Marquês pode ser sentida na própria estrutura de algumas zonas, desde o centro de Oeiras até à costa, passando por áreas como Paço de Arcos e Caxias, onde a sua presença e o seu legado de inovação ajudaram a moldar o futuro. É uma herança que nos convida a olhar para o nosso património com outros olhos, compreendendo as raízes do nosso progresso.
Um detalhe curioso
Um dos aspetos mais fascinantes da sua estadia em Oeiras foi o seu empenho na agricultura e na produção. O Marquês de Pombal transformou a sua quinta num modelo de exploração agrícola, introduzindo novas culturas e técnicas. Um exemplo notável é a sua Adega da Quinta do Marquês de Pombal, uma estrutura impressionante que ainda hoje existe. Ali, produzia-se vinho de alta qualidade, e a quinta era também famosa pela produção de azeite e de outros produtos agrícolas, demonstrando o seu espírito empreendedor e a sua crença na autossuficiência e na modernização económica do país, começando pelo seu próprio "quintal" em Oeiras.
Se fores lá / Como observar
Para sentir de perto esta ligação histórica, nada como uma visita ao Palácio do Marquês de Pombal e aos seus magníficos jardins, no coração de Oeiras. Passeie pelos seus espaços, admire a arquitetura e imagine a vida que ali se desenrolava. É um convite a viajar no tempo e a apreciar a visão de um dos mais importantes estadistas portugueses. Depois, pode estender o seu passeio pelo centro histórico de Oeiras, ou mesmo até à marginal em Paço de Arcos, e refletir sobre como a ambição e o planeamento de uma figura histórica continuam a ressoar na paisagem e no espírito de um concelho que se estende até Algés e Linda-a-Velha, mantendo-se sempre virado para o futuro.