Em Oeiras, a história não é apenas algo que se lê nos livros; é uma presença viva, gravada nas ruas, nos edifícios e até na paisagem.
Em Oeiras, a história não é apenas algo que se lê nos livros; é uma presença viva, gravada nas ruas, nos edifícios e até na paisagem.
Vida Oeiras — quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Em Oeiras, a história não é apenas algo que se lê nos livros; é uma presença viva, gravada nas ruas, nos edifícios e até na paisagem. Hoje, convidamo-lo a desvendar uma curiosidade que moldou profundamente a identidade do nosso concelho, revelando um passado de visão e inovação.
O que saber
No coração de Oeiras reside um legado que remonta ao século XVIII, intrinsecamente ligado a uma das figuras mais marcantes da história portuguesa: o Marquês de Pombal. Sebastião José de Carvalho e Melo, antes de se tornar o poderoso ministro que reconstruiu Lisboa após o terramoto de 1755, escolheu Oeiras como o seu refúgio pessoal e, mais importante, como um laboratório para as suas ideias reformistas. Adquiriu vastas propriedades e mandou edificar o seu palácio, hoje conhecido como Palácio do Marquês de Pombal. Mas a sua ambição ia além da arquitetura: ele via Oeiras como um modelo de modernidade agrícola, introduzindo novas culturas, técnicas de rega e até a produção de vinhos e azeites de qualidade, numa época em que Portugal ansiava por progresso.
Porque é interessante para Oeiras
A visão do Marquês de Pombal não foi apenas um capricho pessoal; ela lançou as bases para o desenvolvimento de Oeiras como um centro de excelência e inovação. As suas experiências agrícolas transformaram as terras férteis que se estendiam de Queijas a Caxias, influenciando a economia local e a paisagem. O seu palácio e os seus jardins, com a sua arquitetura imponente e os seus sistemas hidráulicos avançados, são testemunhos da sua genialidade e do seu desejo de criar um Portugal mais próspero. Este legado de ambição e planeamento é algo que ainda hoje se sente, desde os bairros históricos de Paço de Arcos até às zonas mais modernas de Porto Salvo e Miraflores, onde a procura por qualidade de vida e progresso continua a ser uma constante.
Um detalhe curioso
Sabia que o Marquês de Pombal foi um pioneiro na introdução de novas espécies botânicas e na otimização da produção agrícola em Oeiras? Nos seus jardins, não se limitou a plantar árvores ornamentais; ele cultivou vinhas com castas selecionadas e oliveiras, procurando produzir vinhos e azeites que pudessem competir com os melhores da Europa. A sua "Casa da Pesca", um pavilhão singular nos jardins do palácio, não era apenas um local de lazer, mas também um espaço onde se experimentavam métodos de aquacultura, demonstrando a sua curiosidade científica e o seu empenho em inovar em todas as frentes.
Se fores lá / Como observar
Para mergulhar nesta história, o convite é simples: visite o Palácio do Marquês de Pombal e os seus jardins em Oeiras. Passeie pelos seus caminhos, admire a arquitetura e imagine a vida e as ideias que ali floresceram. Observe os detalhes, desde as estátuas até aos elementos aquáticos, e sinta a grandiosidade da visão pombalina. É uma forma tangível de conectar-se com o passado e perceber como uma figura histórica tão proeminente deixou uma marca indelével no nosso concelho, desde Algés a Barcarena, que ainda hoje nos define.