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Vida OeirasOeiras Centro1 de janeiro de 2026

Para muitos de nós, a Estrada Marginal é uma presença diária, um pano de fundo para as nossas viagens entre casa e trabalho, ou para um passeio à beira-mar.

Para muitos de nós, a Estrada Marginal é uma presença diária, um pano de fundo para as nossas viagens entre casa e trabalho, ou para um passeio à beira-mar.

Vida Oeiras — quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Para muitos de nós, a Estrada Marginal é uma presença diária, um pano de fundo para as nossas viagens entre casa e trabalho, ou para um passeio à beira-mar. Mas por trás do asfalto e do tráfego que hoje ligam Algés a Caxias, esconde-se uma história fascinante que moldou profundamente a identidade da nossa linha de costa. Uma história de visão, engenharia e a transformação de uma paisagem.

O que saber

A Estrada Nacional 6, carinhosamente conhecida como Marginal, não é apenas uma estrada; é um testemunho da evolução de Oeiras e da Grande Lisboa. A sua conceção e construção, que se estendeu por várias décadas do século XX, representaram um marco na ligação entre a capital e a costa ocidental. Antes da Marginal, o acesso a locais como o Dafundo, a Cruz Quebrada e Caxias era mais difícil, feito por caminhos sinuosos ou pela Linha de Cascais, inaugurada décadas antes. A Marginal veio abrir a costa ao turismo e ao lazer, permitindo que as praias e os banhos de mar se tornassem acessíveis a um número crescente de pessoas, transformando aldeias piscatórias em estâncias balneares e zonas residenciais de prestígio.

Porque é interessante para Oeiras

Esta via não é apenas uma infraestrutura; é parte integrante da memória coletiva de Oeiras. A sua existência permitiu o desenvolvimento urbano e social de toda a faixa costeira do concelho, desde Algés até Paço de Arcos. As vivendas e palacetes que ainda hoje pontuam a paisagem, muitos deles em Miraflores ou Linda-a-Velha, surgiram em grande parte devido à facilidade de acesso que a Marginal proporcionou. Ela é um elo entre o passado e o presente, um lembrete constante de como a nossa relação com o mar e com a mobilidade evoluiu, influenciando a forma como vivemos e nos deslocamos em Oeiras.

Um detalhe curioso

Um dos aspetos mais curiosos da Marginal é a sua própria designação. O termo "Marginal" reflete a sua característica de "margem" do rio Tejo e do Oceano Atlântico, uma estrada que abraça a linha de costa de forma quase contínua. Antes da sua conclusão moderna, havia troços isolados e a ideia de uma "Estrada do Mar" era um sonho ambicioso. A sua construção envolveu aterros significativos e a adaptação a uma geografia complexa, com falésias e pequenas enseadas. Pense-se que, em tempos, a viagem de Lisboa a Cascais era uma aventura demorada, e a Marginal veio encurtar distâncias e democratizar o acesso à beleza natural da nossa costa.

Se fores lá / Como observar

Da próxima vez que percorrer a Marginal, seja a pé, de bicicleta ou de carro, desafie-se a olhar para além do tráfego. Repare nas antigas casas de banho de mar em Algés, nos pequenos fortes que ainda guardam a costa em Caxias, ou nas praias que se aninham entre as rochas na Cruz Quebrada e no Dafundo. Imagine como seria esta paisagem há cem anos, antes da estrada, e como ela se transformou. Cada curva, cada vista para o mar, conta uma parte da história de Oeiras e da sua ligação indissociável com o Atlântico.

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