Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o charme das ruas antigas, é um dos tesouros de Oeiras.
Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o charme das ruas antigas, é um dos tesouros de Oeiras.
Vida Oeiras — terça-feira, 24 de março de 2026
Paço de Arcos, com a sua marginal convidativa e o charme das ruas antigas, é um dos tesouros de Oeiras. Mas para lá da beleza óbvia, esconde histórias que o tempo quase apagou. Hoje, vamos desvendar um recanto real, onde reis se entregavam a um passatempo surpreendentemente simples.
O que saber
No coração de Paço de Arcos, integrada no que é hoje o Palácio dos Arcos, existe uma pequena construção conhecida como a Casa da Pesca. Longe dos protocolos da corte, este foi o refúgio de dois monarcas portugueses, D. Pedro V e o seu irmão D. Luís I, que aqui encontravam um escape à vida palaciana. A Casa da Pesca, com a sua localização privilegiada junto ao mar, servia como um ponto de lazer onde os reis podiam dedicar-se à pesca, uma paixão partilhada por ambos. Era um local de descompressão, onde a coroa era trocada pela cana de pesca e as preocupações de estado davam lugar à tranquilidade do oceano, num cenário bem diferente do bulício de Lisboa.
Porque é interessante para Oeiras
Esta história oferece uma perspetiva fascinante sobre a ligação da realeza a Oeiras e, em particular, a Paço de Arcos. Mostra-nos que, mesmo figuras de estado, procuravam na nossa costa um porto de abrigo para os seus momentos de lazer. É uma memória que enriquece a identidade local, lembrando-nos que o nosso concelho, de Algés a Caxias, sempre foi um palco de histórias ricas e diversas. A Casa da Pesca é um testemunho silencioso de que a simplicidade e a beleza natural de Paço de Arcos cativaram até os mais altos dignatários, muito antes de se tornar o vibrante centro que é hoje, com as suas esplanadas e a sua vida própria, um ponto de encontro para residentes de Miraflores a Porto Salvo.
Um detalhe curioso
Sabia que D. Pedro V era conhecido pela sua inteligência e sensibilidade, e que a pesca era para ele não só um passatempo, mas também um momento de reflexão e inspiração? Acredita-se que muitos dos seus pensamentos e decisões, que moldaram o país, podem ter sido ponderados enquanto observava as águas tranquilas de Paço de Arcos. É um contraste interessante entre a gravidade do seu papel e a leveza do seu passatempo favorito neste recanto de Oeiras, que nos faz imaginar o rei a meditar sobre o futuro de Portugal com o som das ondas como pano de fundo.
Se fores lá / Como observar
Para sentir um pouco desta história, sugerimos um passeio pela marginal de Paço de Arcos. Ao passar pelo Palácio dos Arcos, tente imaginar os reis D. Pedro V e D. Luís I, não como figuras distantes da história, mas como homens que, tal como muitos de nós hoje, procuravam a paz e a beleza do mar. A Casa da Pesca, embora não seja de acesso público direto, pode ser vislumbrada do exterior, e a sua presença convida-nos a refletir sobre as camadas de história que se escondem à vista de todos, desde Linda-a-Velha até Queijas, em cada canto do nosso concelho. É um convite a olhar para o património com outros olhos.
