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Vida OeirasOeiras Centro23 de dezembro de 2025

Paço de Arcos, com a sua baía pitoresca e o charme intemporal, é um dos ex-líbris de Oeiras.

Vida Oeiras — terça-feira, 23 de dezembro de 2025 Paço de Arcos, com a sua baía pitoresca e o charme intemporal, é um dos ex-líbris de Oeiras.

Vida Oeiras — terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Paço de Arcos, com a sua baía pitoresca e o charme intemporal, é um dos ex-líbris de Oeiras. Mas para lá das fachadas históricas e do burburinho quotidiano, esconde-se uma história que revela a sua importância para a realeza portuguesa, muito além do mero lazer. Uma curiosidade que nos leva a olhar para o passado com outros olhos.

O que saber

O Paço Real de Paço de Arcos, hoje em dia mais conhecido pela sua imponente presença e pela ligação à Escola Naval, foi outrora um local de eleição para a monarquia portuguesa, em particular para D. Pedro II e D. João V. Contudo, a sua relevância ia muito além de um simples refúgio de verão. A localização estratégica, numa elevação que permitia uma vista privilegiada sobre a foz do Tejo, era crucial para a observação e defesa marítima. Mas havia um outro fator, menos falado, que atraía a corte: os "ares de Paço de Arcos". Acredita-se que o clima ameno e a brisa marítima desta zona de Oeiras possuíam qualidades terapêuticas, tornando o Paço Real num verdadeiro local de convalescença e recuperação para os monarcas e a sua comitiva, que aqui procuravam alívio para as suas maleitas.

Porque é interessante para Oeiras

Esta faceta menos conhecida da história de Paço de Arcos é fascinante porque nos lembra que o apelo de Oeiras, desde Algés até Caxias, não é um fenómeno recente. A busca por um ambiente saudável, com boa qualidade do ar e a proximidade do mar, tem raízes profundas na nossa história. A preferência régia pelos "ares de Paço de Arcos" confere uma camada de prestígio e reconhecimento histórico à qualidade de vida que ainda hoje valorizamos no concelho. É um testemunho de como a identidade de uma localidade pode ser moldada não só por eventos grandiosos, mas também por aspetos tão simples e vitais como o seu clima e ambiente natural.

Um detalhe curioso

Diz-se que D. Pedro II, que sofria de gota, encontrava particular alívio e melhoria do seu estado de saúde durante as suas estadias no Paço de Arcos. Esta crença nas propriedades curativas do local era tão forte que influenciou as decisões reais sobre onde passar períodos de recuperação, elevando Paço de Arcos a um estatuto de "estância de saúde" para a corte. Um pormenor que sublinha a importância do bem-estar pessoal na vida dos monarcas e o impacto que isso teve no desenvolvimento e na fama da nossa vila costeira.

Se fores lá / Como observar

Da próxima vez que passear pelo Jardim do Paço, ou que percorrer o Passeio Marítimo, talvez vindo de Linda-a-Velha ou Miraflores em direção a Paço de Arcos, reserve um momento. Olhe para o estuário do Tejo e para o mar. Imagine os reis e rainhas, não apenas a desfrutar da paisagem, mas também a respirar o mesmo ar que hoje o envolve, procurando saúde e inspiração estratégica neste mesmo local. A história, por vezes, sussurra-nos através da brisa marítima, convidando-nos a sentir a ligação entre o passado e o presente.

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