No coração do concelho de Oeiras, onde o Tejo encontra o Atlântico, residem histórias e costumes que moldam a nossa identidade.
No coração do concelho de Oeiras, onde o Tejo encontra o Atlântico, residem histórias e costumes que moldam a nossa identidade.
Vida Oeiras — quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
No coração do concelho de Oeiras, onde o Tejo encontra o Atlântico, residem histórias e costumes que moldam a nossa identidade. Hoje, mergulhamos numa das mais emblemáticas tradições que celebra a ligação profunda da nossa terra ao mar, um legado que continua a unir gerações e a colorir as nossas paisagens costeiras.
O que saber
Falamos das Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem, uma celebração secular que tem o seu epicentro em Paço de Arcos. Esta tradição, enraizada na fé e na vida piscatória da região, é um tributo à padroeira dos homens do mar. Todos os anos, geralmente no final do verão ou início de setembro, a comunidade une-se para honrar a Virgem, pedindo proteção para aqueles que se fazem ao mar e agradecendo as suas dádivas. O ponto alto é a impressionante procissão marítima, onde a imagem da Nossa Senhora da Boa Viagem é levada em cortejo por embarcações engalanadas, abençoando as águas e os seus trabalhadores.
Porque é interessante para Oeiras
Esta festa é muito mais do que um evento religioso; é um espelho da alma de Oeiras. Ela recorda-nos a importância histórica da atividade piscatória para o desenvolvimento de localidades como Paço de Arcos e Caxias, e a resiliência das suas comunidades. É um momento de reencontro, de partilha e de afirmação da nossa herança cultural. Para os moradores de Algés, Linda-a-Velha ou Queijas, e para todos os que vivem no concelho, as Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem representam uma memória coletiva, um elo com o passado que continua a vibrar no presente, reforçando o sentido de pertença e a riqueza das nossas tradições.
Um detalhe curioso
Um dos momentos mais tocantes e simbólicos da procissão marítima é a bênção das embarcações. À medida que o barco que transporta a imagem da Nossa Senhora da Boa Viagem passa, os pescadores e marítimos, a bordo dos seus próprios barcos, fazem soar as buzinas em sinal de respeito e gratidão, enquanto a imagem abençoa a frota e as águas. É uma cena de profunda emoção e fé, que sublinha a dependência e o respeito do homem pelo mar, e a esperança de um regresso seguro a casa.
Se fores lá / Como observar
Para vivenciar a atmosfera desta tradição, o ideal é visitar Paço de Arcos durante o período em que as festas costumam acontecer. Mesmo fora dessa época, pode-se sentir a ligação ao mar passeando pelo paredão, desde Caxias até Paço de Arcos, observando os barcos de pesca atracados e imaginando a azáfama de outros tempos. A Igreja Matriz de Paço de Arcos, onde a imagem da Nossa Senhora da Boa Viagem reside, é também um ponto de interesse que evoca a história e a devoção local.